domingo, 17 de setembro de 2017

IV. Frutos da Terra e do Homem

Todos os dias são da poesia, como pão nosso de cada dia.

José Régio faz hoje 116 anos.


                 REDENÇÃO



Meus poemas desprezaram a Beleza…
Fi-los descendo e transcendendo lodos.
(Dos lodos todos e dos poemas todos
Aqui vos falo com feroz franqueza!)

Fi-los, sentando à minha mesa impura
Quantos pecaram, por qualquer dos modos
Que há, de pecar, entre judeus ou godos…
E assim os fiz mais belos que a Beleza.

Tenho as mãos negras e os sorrisos curvos
Dos que, na sombra, beijam as raízes
Do que parece claro à luz de fora.

Vinde aos espelhos dos meus olhos turvos!
Se sois infames, fracos, e infelizes,
Neles vereis como já nasce a aurora.

José Régio, 19695: Biografia.
Lisboa: Portugália; pp. 151-2. [Respeitada grafia da edição consultada.]


NB – As fotografias do Poeta foram colhidas em Google / Imagens / José Régio.

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