Alberto de Serpa faz, hoje, 111 anos.
NB - As fotografias do Poeta foram colhidas em Google / Imagens / Alberto de Serpa.

Rua
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Vitória
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Rua que só tens mãos para dar palmas
E ao eco dos aplausos adormeces.
Ó rua surda às lágrimas e às preces!
Mar de cabeças que é deserto de almas.
Rua de sempre,
Eternamente inquieta.
Búzio de Satanaz.
Pátria do medo.
Onde nunca o murmúrio de um segredo
Iluminará a face do Poeta.
Ó rua inevitável que me espera!
Rua! Sinto-lhe a sombra, o bafo, a gula...
Rua. Peso de ferro que me anula
A mim, que sou o irmão da Primavera!
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De hoje
A vinte anos,
Quando eu fôr
Ainda,
O bailador maior da Serra de Arga,
E tu,
Frágil saudade,
Quase finda,
No vale apenas,
Uma sombra,
Amarga
Verás,
Então,
Como envelhece o Povo
E como, nele, as rugas chegam cedo.
E eu cantarei, feliz,
E cada vez mais novo!
Por ter amado, sempre,
Mas sem medo...
Afife, 1936
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Poema
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Ano
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Pg.*
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1)
«De Viana vêm os cravos e os lilazes»
2)
[«O Lima foge entre os meus dedos vãos» -1º verso]
3)
«Embarque»
4)
«Almocreve»
5)
«Calvário»
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1960
1968
1969
1970
1972
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2
61
164
243
61
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Poema
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Livro
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Ano
|
Pg.
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1)
«Carta a Ruben»
2)
«Um rio foge»
3)
«Embarque»
4)
«Conquista»
5)
«Calvário»
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O
Rapaz da Camisola Verde
As
Perguntas Indiscretas
Miserere
Desterrado
Eu
Desci aos Infernos
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1954
1968
1948
1970
1972
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57-58
57-58
94
29
44
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«Almocreve» - Roteiro (1970)
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«Conquista» - Desterrado (1970)
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Vendo todos os meus versos
– Poeta de compra e venda!
Zomba de mim – mas os
versos
Haverá quem os entenda?
Vendo na rua, ao balcão,
E, às vezes, até na praia!
E o dinheiro que eles dão
Logo, frívolo, desmaia...
Riem tulipas na jarra
Do quarto onde ambos
dormimos
E a paz – uma paz bizarra!
Põe-nos, nas pálpebras,
limos...
E acordo, só, se outra
rima
Lembre, de súbito, a feira
Em que a luta quando anime
Torne a vida, verdadeira.
Bailo então, porém,
sòzinho
Como os Poetas que o são.
E o oiro sabe-me a
vinho...
E os versos sabem-me a
pão!
(Inédito)
Verão de 1970
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….................................................
«Poeta de compra e venda»
Zomba de mim.
Mas os versos
…..................................................
…..................................................
…..................................................
…..................................................
Sonham tulipas na jarra
…..................................................
E a paz – uma paz bizarra! –
…..................................................
…..................................................
Lembra, de súbito, a feira.
«- Acima, Gageiro, acima!
Vê se vês a Pátria inteira!»
Por fim, bailo. Tão sòzinho
…...................................................
…...................................................
…...................................................
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Amália e Pedro Homem
de Mello (dançando)
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Miserere (1848)
e Roteiro (1969)
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Versão cantada por Amália
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Embarque
Se
o meu sangue não me engana
Como
engana a fantasia
Havemos
de ir a Viana
Ó
meu amor de algum dia!
E
entre sombras misteriosas
Em
rompendo ao longe estrelas
Trocaremos
nossas rosas
Para,
depois, esquecê-las.
Portanto,
de flor ao peito
Partamos
hoje... Amanhã
Pode
o pomar já desfeito
Não
nos dar toda a maçã.
Ciganos!
Verdes ciganos!
Deixai-nos
com esta crença:
-
os pecados têm vinte anos?
Os
remorsos têm oitenta!
|
Havemos de ir
a Viana
Entre
sombras misteriosas
em
rompendo ao longe estrelas
trocaremos
nossas rosas
para
depois esquecê-las.
Se
o meu sangue não me engana
como
engana a fantasia
havemos
de ir a Viana
ó
meu amor de algum dia
ó
meu amor de algum dia
havemos
de ir a Viana
se
o meu sangue não me engana
havemos
de ir a Viana.
Partamos
de flor ao peito
que
o amor é como o vento
quem
pára perde-lhe o jeito
e
morre a todo o momento.
Se
o meu sangue não me engana
etc.,
etc.
Ciganos
, verdes ciganos
deixai-me
com esta crença
os
pecados têm vinte anos
os
remorsos têm oitenta.
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Canção
de Viana
ao Domingos de Carreço
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Eu sou de
Viana, cidade.
Eu sou de
Viana que é vila.
Sou de Viana
e sou da aldeia
Sou do monte
e sou do mar.
A minha terra
é Viana!
Quem diz
Viana, diz Cerveira,
Quem diz
Cerveira, diz Agra…
- Só dou o
nome de terra
Onde o da
minha chegar!
Dancei a Gota
em Carreço,
O Verde Gaio
em Afife
(Dancei-o
devagarinho
Como a lei
manda bailar!)
Dancei em
Vile a Tirana
E dancei em
todo o Minho
E quem diz
Minho, diz Viana…
Ó minha terra
vestida
Da cor da
folha da rosa!
Ó brancos
saios de Perre
Vermelhinhos
na Areosa!
Virei costas
à Galiza;
Voltei-me
antes para o sul…
Santa Marta!
Trajo Verde…
(Como o povo
era poeta
Àquele trajo
(tão verde!)
Deram-lhe o
nome de azul…)
Virei costas
à Galiza
Voltei-me
antes para o mar…
Santa Marta!
Saias negras…
Mas como o
povo é poeta
Aquelas saias
tão negras
Têm vidrilhos
de luar!
Virei costas
à Galiza…
Pus-me a
remar contra o vento!…
Santa Marta!
Saias rubras…
Ó Santa Marta
vestida
Da cor do meu
pensamento!
A minha terra
é Viana,
São estas
ruas compridas,
São os navios
que partem
E são as
pedras que ficam…
É este sol
que me abrasa,
Estas sombras
que me assustam…
A minha terra
é Viana.
Ai! Este sol
que me abrasa
E estas
sombras que me assustam!(3)
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(1) Para
mais informação sobre a revista e o seu fundador, ver Viana, R. A. F. &
Fernandes, A. I. R., 2002/2003, separata de Estudos
Regionais, n.º 23/24: 253-257.