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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017


   Ruy Belo faz hoje 84 anos.

E TUDO ERA POSSÍVEL

Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido

Chegava o mês de maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido

E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer

Só sei que tinha o poder duma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer

Ruy Belo, 1981: Obra Poética de Ruy Belo (vol. 1).
(Organização e posfácio de Joaquim Manuel Magalhães). Lisboa: Presença; p. 171.

Para recordar e/ou ler e/ou ser (mais) informado:
AQUI e «E TUDO ERA POSSÍVEL, dito por Elisabete Caramelo» e/ou «Ler Mais, Ler Melhor – Ruy Belo» e/ou «Ruy Belo, Era uma vez)».

«[…] A poesia de Ruy Belo é uma poesia do fracasso mas não uma poesia fracassada. Cada poema seu é um espaço errante e disperso, homogéneo mas fragmentário, à semelhança da própria vida. De livro para livro, os poemas alongam-se e tornam-se mais pungentes, mais intensamente apaixonados, mas aqui a paixão, se é busca de uma relação amorosa com o real, inclui nela o sentimento da perda irremediável e do espaço mortal da condição finita. O tempo é a instância negativa contra a qual o poeta se levanta num movimento que não atinge jamais a plenitude. […]».
António Ramos ROSA, 1987: «Ruy Belo ou a Incerta Identidade»
Em Incisões Oblíquas. Estudos sobre Poesia Portuguesa Contemporânea.
Lisboa: Caminho; p. 70.

NB1 - Fotografias colhidas em Google+ / Imagens / Ruy Belo.
NB2 - Respeitadas grafia e pontuação das edições consultadas.