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segunda-feira, 9 de outubro de 2017
sábado, 7 de outubro de 2017
terça-feira, 3 de outubro de 2017
domingo, 1 de outubro de 2017
domingo, 17 de setembro de 2017
IV. Frutos da Terra e do Homem
Todos os dias são da poesia, como pão nosso de cada dia.
José Régio faz hoje 116 anos.
REDENÇÃO
Meus
poemas desprezaram a Beleza…
Fi-los
descendo e transcendendo lodos.
(Dos
lodos todos e dos poemas todos
Aqui
vos falo com feroz franqueza!)
Fi-los,
sentando à minha mesa impura
Quantos
pecaram, por qualquer dos modos
Que
há, de pecar, entre judeus ou godos…
E
assim os fiz mais belos que a Beleza.
Tenho
as mãos negras e os sorrisos curvos
Dos
que, na sombra, beijam as raízes
Do
que parece claro à luz de fora.
Vinde
aos espelhos dos meus olhos turvos!
Se
sois infames, fracos, e infelizes,
Neles
vereis como já nasce a aurora.
José Régio, 19695: Biografia.
Lisboa:
Portugália; pp. 151-2. [Respeitada grafia da edição consultada.]
NB
– As fotografias do Poeta foram colhidas em Google / Imagens / José Régio.
IV. Frutos da Terra e do Homem
Todos os dias são da poesia, como pão nosso de cada dia.
Guerra Junqueiro faz hoje 167 anos.
O
PAPÃO
As
crianças têm medo à noite, às horas mortas,
Do
papão que as espera, hediondo, atrás das portas,
Para
se levar no bolso ou no capuz dum frade.
Não
te rias da infância, ó velha humanidade,
Que
tu também tens medo ao bárbaro papão,
Que
ruge pela boca enorme do trovão,
Que
abençoa os punhais sangrentos dos tiranos,
Um
papão que não faz a barba há seis mil anos,
E
que mora, segundo os bonzos têm escrito,
Lá
em cima, detrás da porta do infinito!
Guerra Junqueiro, 1967?: A Velhice do Padre Eterno.
Porto:
Lello & Irmão; p. 33. [Respeitada a grafia da edição consultada.]
NB1 – O volume consultado não traz n.º de edição. Daí, a interrogação sobrescrita ao ano.
NB2
– As fotografias do Poeta foram colhidas em Google / Imagens / Guerra
Junqueiro.
sexta-feira, 15 de setembro de 2017
IV. Frutos da Terra e do Homem
Todos os dias
são da poesia, como pão nosso de cada dia.
Bocage
faz hoje 252 anos.
O
MACACO DECLAMANDO
(Apólogo XVI)
Um mono, vendo-se um dia
Entre brutal multidão,
Dizem lhe deu na cabeça
Fazer uma pregação.
Creio que seria o tema
Indigno de se tratar;
Mas isso pouco importava,
Porque o ponto era gritar.
Teve mil vivas, mil palmas,
Proferindo à boca cheia
Sentenças de quinze arrobas,
Palavras de légua e meia.
Isto acontece ao poeta,
Orador, e outros que tais:
Néscios o que entendem menos
É o que celebram mais.
Bocage, 1968: Obras.
Porto: Lello & Irmão; p. 1131.
NB - As imagens
da Poeta foram colhidas em Google / Imagens / Bocage.
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