quinta-feira, 14 de setembro de 2017
quarta-feira, 13 de setembro de 2017
IV. Frutos da Terra e do Homem
Todos os dias são da poesia, como pão nosso de cada dia.
Natália Correia faz hoje 94 anos.
BALADA PARA UM HOMEM
NA MULTIDÃO
Este homem que entre a multidão
enternece por vezes destacar
é sempre o mesmo aqui ou no Japão
a diferença é ele ignorar.
Muitos mortos foram necessários
para formar seus dentes um cabelo
vai movido por pés involuntários
e endoidece ser eu a percebê-lo.
Sentam-se à mesa de um café
num andaime ou sob um pinheiro
tanto faz desde que se esqueça
que é homem à espera que cresça
a árvore que dá dinheiro.
Alimentam-no do ar proibido
de um sonho que não é dele
não tem mais que esse frasco de vidro
para fechar a estrela do norte.
E só o seu corpo abolido
lhe pertence na hora da morte.
Natália Correia, 1975: Poemas a Rebate.
Lisboa: Dom Quixote, p. 69.
NB - As imagens da Poeta foram colhidas em Google / Imagens / Natália Correia.
domingo, 10 de setembro de 2017
IV. Frutos da Terra e do Homem

Todos os dias são da poesia, como pão nosso de cada dia.
Nicolau Tolentino faz hoje 277 anos.
À MULHER QUE AÇOITOU O MARIDO
Mulher do capelista, acaba a empresa,
Que o mundo sem razão chamou tirana;
Vai açoitando esse infeliz banana,
Nódoa do sexo, horror da natureza.
A vil rapaziada portuguesa
Com falsa cantilena o povo engana;
Nem coifas inventaste à castelhana,
Nem as vastas fivelas à maltesa;
De mais alta invenção é bem te prezes;
Legislando melhor que Tito ou Numa,
Emendaste uma lei dos portugueses;
Não padece isto dúvida nenhuma;
A lei açoita a quem casar duas vezes;
Tu mostras que contigo basta uma.
Nicolau Tolentino, 2004. Sátiras
(Org. Vasco Graça Moura). Lisboa; p. 108.
NB - As imagens do Poeta que ilustram este "post" foram colhidas em Google / Imagens / Nicolau Tolentino de Almeida.
sexta-feira, 8 de setembro de 2017
quinta-feira, 7 de setembro de 2017
IV. Frutos da Terra e do Homem
Todos os dias são da poesia e sua partilha, como pão nosso de cada dia.
Camilo Pessanha faz hoje 150 anos.
Ao longe os barcos
de flores
Só, incessante, um
som de flauta chora,
Viúva, grácil, na
escuridão tranquila,
- Perdida voz que
de entre as mais se exila,
- Festões de som
dissimulando a hora.
Na orgia, ao longe,
que em clarões cintila
E os lábios, branca,
do carmim desflora…
Só, incessante, um
som de flauta chora,
Viúva, grácil, na
escuridão tranquila.
E a orquestra? E os
beijos? Tudo a noite, fora,
Cauta, detém. Só
modulada trila
A flauta flébil…
quem há-de remi-la?
Quem sabe a dor que
sem razão deplora?
Só, incessante, um
som de flauta chora…
Camilo Pessanha,
19735: Clepsidra e Outros
Poemas. Lisboa: Ática; p. 173. [Respeitada grafia
da edição consultada.]
NB - As fotografias do Poeta que ilustram este "post" foram colhidas em Google / Imagens / Camilo Pessanha!
sexta-feira, 1 de setembro de 2017
segunda-feira, 28 de agosto de 2017
IV. Frutos da Terra e do Homem
Todos os dias são da poesia e sua partilha, como pão nosso de cada dia.
Sá de Miranda faz hoje 536 anos.
Do passado arrependido,
seguro doutro erro tal,
seja o perdido, perdido,
e do mal, o menos mal.
Faça-se o que vós mandais:
não nos ouça mais ninguém,
que do mal vosso e do bem,
não sei qual quisesse mais.
Todos os dias são da poesia e sua partilha, como pão nosso de cada dia.
Sá de Miranda faz hoje 536 anos.
Do passado arrependido,
seguro doutro erro tal,
seja o perdido, perdido,
e do mal, o menos mal.
Faça-se o que vós mandais:
não nos ouça mais ninguém,
que do mal vosso e do bem,
não sei qual quisesse mais.
Francisco Sá de Miranda
Poesias (dir. Vasco Graça Moura). Lisboa, 2004, p. 20.
NB - As fotografias do Poeta, que acompanham este "post", foram colhidas em Google / Imagens / Sá de Miranda.
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