quarta-feira, 5 de abril de 2017


      Carlos Queiroz faz hoje 110 anos


Carlos Queiroz, 1989: Epístola aos Vindouros e Outros Poemas.
(Pref.: David Mourão-Ferreira). Lisboa: Ática; p. 31.

Para recordar e/ou ler e/ou ser (mais) informado: 

«[…] um dos mais límpidos líricos de toda a nossa história literária e que foi também, sem sombra de dúvida, uma das figuras de proa do segundo modernismo português. Apressadamente etiquetado com o cómodo rótulo de “presencista”, e como tal sofrendo do injusto eclipse que se tem projectado sobre os autores da Presença, Carlos Queiroz […] por completo transcende, no entanto, qualquer espírito de “escola”, de tal modo que a sua poesia, se pode ser entendida, por um lado, em íntima articulação com a dos mais significativos “presencistas” e com a de outros coetâneos que pouco ou nada colaboraram na Presença, sobretudo exige, por outra parte, ser encarada como um privilegiadíssimo elo na cadeia que estabelece a ligação entre os poetas do Orpheu (em particular Fernando Pessoa, e nomeadamente o Pessoa ortónimo) e algumas das camadas que só na segunda metade do século principiaram a manifestar-se. […]»
David MOURÃO-FERREIRA, 1989: «Preâmbulo».
Em Carlos Queiroz, 1989: IX-X.

NB1 - A fotografia do Poeta que ilustra o cabeçalho deste "post" foi colhidas em Google+ / Imagens / Carlos Queiroz, poeta. A que acompanha o poema é uma digitalização minha do desenho de Eduardo Malta, reproduzida no livro consultado (Queiroz, 1989: VII).
NB2 - Respeitada grafia e pontuação da edição consultada. Reprodução digitalizada do poema.

terça-feira, 28 de março de 2017


      Alexandre Herculano faz hoje 207 anos

Alexandre Herculano, 18602: Poesias
Lisboa: Viúva Bertrand & Filhos; p. 31.

Para recordar e/ou ler e/ou ser (mais) informado: 

«[…] Herculano, dotado de uma funda consciência do próprio valor, adopta, logo na primeira juventude, o tom instintivo e natural do profeta inspirado. As composições Semana Sancta e Arrábida, dos 18 ou 19 anos, são já do hierofante que fala de alto, julgando os homens seus semelhantes em nome de uma justiça divina de que se supõe mandatário. Pode dizer-se que nestes dois poemetos se encontram já bem definidos os motivos da sua temática moral: uma ética da liberdade e da solidão, e o juízo sobranceiro da cidade e do vulgo tumultuário […].»
João MENDES, 1979: Literatura Portuguesa III.
Lisboa: Verbo; p. 118.

NB1 - As fotografias (busto e retrato) do Poeta que ilustram este "post" foram colhidas em Google+ / Imagens / Alexandre Herculano.
NB2 - Respeitadas grafia e pontuação da edição consultada. Reprodução digitalizada do poema.

sexta-feira, 24 de março de 2017


     Teófilo Carneiro faz hoje 126 anos

Teófilo Carneiro, 2006: Poesias e Outros Dispersos.
Guimarães: Opera Omnia; pp. 44-45.

Para recordar e/ou ler e/ou ser (mais) informado: 

«Se há temas dominantes, que percorrem e estruturam tematicamente a poesia de Teófilo Carneiro, parecem-nos ser, sobretudo e de um modo intimamente articulado, o lirismo amoroso e a celebração da paisagem limiana, no quadro mais amplo de uma sentimentalidade neo-romântica, perpassada de confissões efusivas e de um bucolismo regionalista.»
J. Cândido MARTINS, 2006: «Teófilo Carneiro: exemplaridade ética e lirismo bucólico de um poeta neo-romântico».
Em Teófilo Carneiro, 2006: Poesias e Outros Dispersos
(Introdução, fixação do texto e notas de J. Cândido Martins). Guimarães: Opera Omnia; pp. 44-45.

NB1 - A fotografia do Poeta que ilustra o cabeçalho foi colhidas em Google+ / Imagens / Teófilo Carneiro.
NB2 - Respeitadas grafia e pontuação da edição consultada. Reprodução digitalizada do poema.

segunda-feira, 20 de março de 2017


     Reinaldo Ferreira faz hoje 95 anos

Reinaldo Ferreira, 19--4: Poemas.
(Pref.: José Régio). Lisboa: Portugália; p. 24.

Para recordar e/ou ler e/ou ser (mais) informado:

        «Mais amiúde, porém, o que se verifica, na poesia de Reinaldo Ferreira, é um constante equilíbrio entre a exuberância das metáforas e a recusa das metáforas –, mas equilíbrio que não representa, de modo algum, uma solução de “meio-termo”, antes uma tensão permanente entre a unidade e a multiplicidade que vê nos outros, que vê nas coisas, que vê em si. Os poemas de amor que escreveu – e não são raros – traduzem também, de vários modos, em diferentes níveis, inúmeras formas desse estado de tensão.»
David MOURÃO-FERREIRA, 1969: «Reinaldo Ferreira»,
Tópicos de Crítica e de História Literária. Lisboa: União Gráfica; p. 276.

NB1 - As fotografias da Poeta foram colhidas em Google+ / Imagens / Reinaldo Ferreira.
NB2 - Respeitadas grafia e pontuação das edições consultadas.

quinta-feira, 16 de março de 2017


     Camilo faz hoje 192 anos


Camilo Castelo Branco, 2008: Poesia.
(Ed.: Ernesto Rodrigues). [Lisboa]: S/Ed.; p. 202.

Para recordar, cf.:
AQUI e AQUI (Blogue «Camilo & Viana – cadeia de relações»).

Bibliografia a (re)ler, sobre o Escritor, enquanto POETA, no sentido (mais) restrito e (mais) alargado do termo:

RODRIGUES, Ernesto, 2008: «Camilo, Poeta», em BRANCO, Camilo Castelo, 2008, Poesia, [Lisboa], S/Ed., pp. 7-45. Estudo, [prefácio à edição («uma antologia») de poemas do Escritor], com análise crítica de estudos, realizados por outros autores, sobre a poesia de Camilo.
SENA, Jorge de, 20012: «Em Louvor de Camilo», em Estudos de Literatura Portuguesa I, Lisboa, Edições 70, pp. 137-139. «Trágico, épico, lírico, satírico - tudo isso foi Camilo. De tudo isso, e de um mágico poder encantatório, se compõe o seu pessoalíssimo estilo.» No romance, no teatro, na poesia, para que se reconheça Camilo como «o grande poeta que é.» [P. 137)

NB1 - As fotografias da Poeta foram colhidas em Google+ / Imagens / Camilo Castelo Branco.
NB2 - Respeitadas grafia e pontuação das edições consultadas.

quarta-feira, 15 de março de 2017

A PROPÓSITO DOS 50 ANOS DE O CANTO E AS ARMAS DE MANUEL ALEGRE


Ontem, ouvi, na Antena 2, e li, no DN, que, para comemorar os 50 anos da publicação de O Canto e as Armas, de Manuel Alegre, chegava às livrarias uma nova edição do livro, com prefácio de Mário Cláudio.
A notícia comenta tratar-se de «livro que marcou uma geração». E de que maneira! - recordo e, a propósito, um pouco contarei, abaixo. Mas, antes, convirá referir, em nome da verdade, que o referido jornal reproduz, lado a lado, as capas do livro, com a seguinte legenda: «A mais recente das reedições e a capa original de O Canto e as Armas».

 Ora acontece que a capa da 1.ª edição (1967, chancela: Nova Realidade) não é a que se mostra. A «capa [dita] original» que ilustra [?] a notícia é da Centelha, Coimbra, cujo símbolo se encontra no canto superior esquerdo do volume, embora não seja indicado o n.º da edição.

Não possuo O Canto e as Armas, tal como saiu em 1967. Possuo, todavia, a 2.ª edição, publicada pela Centelha, em 1970. Eis a capa e contracapa:

Agora, a recordação, entre outras, como adquiri este livro, no dia 29-1-71, por 30$00 (trinta escudos, para quem não saiba ou já se tenha esquecido destes símbolos). Livro que, como outros então adquiridos, guardo, orgulhosamente, como preciosidades.

O Canto e as Armas comprei-o, em Braga, onde era estudante, na Faculdade Filosofia, na Livraria Víctor, situada na Rua dos Capelistas. O proprietário desta livraria era Víctor de Sá [Obrigado, Henrique Barreto Nunes, pelo “post” sobre «O Livreiro Victor de Sá»]. Sabendo ele do meu gosto pela poesia, tendo-me (re)encontrado, naquela data, no seu estabelecimento, disse-me: «Venha aqui ao meu gabinete!» E fui, claro.
(Entretanto, o doutor Vítor tinha aberto outra Livraria Victor no r/c, com galeria no 1.º andar, na Rua Arantes Oliveira - o doutor residia num prédio em frente, do outro lado desta mesma rua. E eu residia na «República» que, perto, ficava na Avenida João XXI.)
O doutor Vítor abriu a gaveta do fundo da secretária e retirou dela um livro, colocando-me, nas mãos, com um largo e franco sorriso, O Canto e as Armas. E acrescentou: «Leia que vai gostar!» Agradeci e, antes de sair da Livraria Victor, paguei, grato, a um (eram dois ou três) dos funcionários.

Ainda tinha, no bolso, uns “patacos” – a bolsa da Gulbenkian também dava para, de vez em quando, me dar a estes “luxos”. E se livro houvesse, para cuja compra a “mesada” já não desse, o doutor Vítor permitia que o adquirisse a “(con)fiado”. Para o efeito, forneceu-me um cartão «Titular de Conta». Este, que ao lado se mostra:

Mais importante, muito mais importante, porém, que esta minha modesta “memória” (gosto destas aliterações em <m>), é (re)ler O Canto e as Armas, do Manuel Alegre. Já! Seja em que edição for.

Obrigado por me aturarem!

domingo, 12 de março de 2017


     Ribeiro Couto faz hoje* 119 anos.

Ribeiro Couto, 1935: «carícia nocturna».
Presença - Revista de Arte e Cultura (vol. II) n.º 45; p. 5.
[Ed. consult.: Presença – Edição fac-similada compacta (Tomo II). Lisboa: Contexto.]

Para recordar e/ou ler e/ou ser (melhor) informado:

«[…] Integrado no Movimento Modernista de 1922, não se afastou de todo, pela temática, do Simbolismo. Suave e terno, preferiu os temas da vida quotidiana […]. Diplomata de carreira, R. C. viveu também em Portugal, deixou-se impregnar da suavidade da paisagem, da simplicidade dos costumes, e reflectiu-os amorosamente nos últimos trabalhos que publicou. Aliás, sua poesia continua no Brasil a tradição do lirismo português de gosto popular. […]»
G[uilhermino] C[ésar], «Couto, Rui Ribeiro»
Em Jacinto do Prado COELHO (dir.), 19783: Dicionário de Literatura. (Vol. 1).
Porto: Figueirinhas; p. 227.
*Também faz anos, hoje, Raul Brandão.

NB1 - As fotografias da Poeta foram colhidas em Google+ / Imagens / Ribeiro Couto.
NB2 - Respeitadas grafia e pontuação das edições consultadas.