quarta-feira, 8 de março de 2017


   Ruy Cinatti faz hoje 102 anos.

Ruy Cinatti, 1940: «Metamorfose».
Cadernos de Poesia, n.º 6 (2.ª Série). Lisboa; p. 21.
[Edição consultada: Luís Adriano Carlos & Joana Matos Frias (dir), 2004: Cadernos de Poesia.
(Reprodução fac-similada). Porto: Campo das Letras.]

Para recordar e/ou ler e/ou ser (melhor) informado:

«[…] é difícil encontrar na poesia portuguesa um poeta como Ruy Cinatti, ao mesmo tempo tão introspectivo e tão inteiramente atento ao exterior: uma consciência infeliz transformada em consciência poética vigilante, um poeta “singularmente repartido entre o céu e a terra”, na síntese precisa de Luís Amaro, que soube criar uma obra de dimensão ética e estética, activa e contemplativa, social e pura, realista, neo-realista e surrealista, sem qualquer prejuízo da sua coerência interna. […]»
Joana Matos FRIAS, 2016: «Eu Sou Poeta e Sei o que Digo».
Em Ruy Cinatti, 2016: Obra Poética I. [Lisboa]: Assírio & Alvim; p. 29.

* Também fazem anos, hoje, «João de Deus» e «José Blancde Portugal».

NB1 - As fotografias da Poeta foram colhidas em Google+ / Imagens / Ruy Cinatti.
NB2 - Respeitadas grafia e pontuação das edições consultadas.


   José Blanc de Portugal faz hoje* 103 anos.


José Blanc de Portugal, 1940: "Romance do Rio Grande".
Cadernos de Poesia, n.º 1. Lisboa; p. 9.
[Edição consultada: Luís Adriano Carlos & Joana Matos Frias (dir.), 2004: Cadernos de Poesia.
(Reprodução fac-similada). Porto: Campo das Letras.]

Para recordar e/ou ler e/ou ser (melhor) informado:

«[…] o terceiro organizador dos Cadernos de Poesia, José Blanc de Portugal […], só em 1960 reune em volume os seus versos. […] O autor de Romance do Rio Grande, poesia que figura no primeiro número da publicação que organizou [com Tomaz Kim e Ruy Cinatti], tem, contudo, de ser considerado entre nós um dos primeiros cultores de um género de poesia que anos depois se tornará uma das tendências dominantes do lirismo nacional: o neobarroquismo. É, realmente, um poeta barroco, integrando no barroquismo muitos dos apports da poesia do primeiro e do segundo modernismo, e antecipando-se, de algum modo, aos próprios surrealistas. […]»
João Gaspar SIMÕES, 1976: Perspectiva Histórica da Poesia Portuguesa (Séc. XX).
Porto: Brasília; pp. 388-389.

* Também fazem anos, hoje, «João de Deus» e «Ruy Cinatti».

NB1 - As fotografias da Poeta foram colhidas em Google+ / Imagens / José Blanc de Portugal.
NB2 - Respeitadas grafia e pontuação das edições consultadas.

   João de Deus faz hoje* 187 anos.

João de Deus, 197410: Campo de Flores (Tomo II).
Amadora: Bertrand; p. 135.

Para recordar e/ou ler e/ou ser (melhor) informado:

«[…] Surgido para a poesia numa época muito pouco afortunada, em que o ultra-romantismo começava a desagregar-se – e, sobretudo, a desacreditar-se -, João de Deus logo a breve trecho se impôs como lírico excepcional, pela atitude do sentimento, pela casta singeleza da inspiração e pela graciosa naturalidade da linguagem. [...]»
David MOURÃO-FERREIRA, 1969: "A propósito de João de Deus".
Tópicos de Critica e de História Literária. Lisboa: União Gráfica; pp. 76-77.

* Também fazem anos, hoje, «RuyCinatti» e «José Blanc de Portugal».

NB1 - As fotografias da Poeta foram colhidas em Google+ / Imagens / João de Deus.
NB2 - Respeitadas grafia e pontuação das edições consultadas.

terça-feira, 7 de março de 2017


   António Patrício faz hoje 139 anos.

António Patrício, 1911: «Saudade do teu corpo».
A Águia, n.º 10 (1.ª Série - Porto, Junho), p. 12.
[Director, proprietário e editor: Álvaro Pinto]

Para recordar e/ou ler e/ou ser (melhor) informado:

«[…] A busca do inusitado, do inédito, com o seu séquito de palavras sugestionantes, metáforas e repetições musicais próprias da estilística simbolista, sobrepõe-se às acumulações, às séries ternárias, substantivas ou adjectivais, da intensa, exasperada sensibilidade (ainda na linha romântica) de A. P.; e é sobretudo o seu amoralismo espiritualista – ou a sua ânsia de uma espiritualidade supra-humana, sucedâneo de uma religião já só viva como estímulo artístico – que melhor define o autor, cativo e amoroso de névoas, espectros, sombras outonais, indecisões crepusculares ou reflexos do mundo do encantamento, da magia, de um Além sem Deus. […]»
U[rbano] T[avares] R[ODRIGUES], 19783: «Patrício, António».
Em Jacinto do Prado COELHO (dir.), 19783Dicionário de Literatura. (Vol. 3).
Porto: Figueirinhas; pp. 802-803.

NB1 - As fotografias da Poeta foram colhidas em Google+ / Imagens / António Patrício.
NB2 - Respeitadas grafia e pontuação das edições consultadas.

segunda-feira, 6 de março de 2017

III. Dispersos


III.1. Poema (LXXI)

             Todos os dias são da poesia e sua partilha, como pão nosso de cada dia



Publicado em EUFEME - magazine de poesia, n.º 1 (outubro/dezembro 2016), p. 27, a convite do poeta Sérgio Ninguém, editor e coordenador da publicação. Nota biobibliográfica do autor (p. 25) precede a sua (i.e., minha) colaboração.


NB1 -  A primeira publicação de «discurso a refeição», sem título, foi AQUI.
NB2 - Todos os direitos reservados.

domingo, 5 de março de 2017

III. Dispersos


III.1. Poema (LXX)

             Todos os dias são da poesia e sua partilha, como pão nosso de cada dia



Publicado em EUFEME - magazine de poesia, n.º 1 (outubro/dezembro 2016), p. 26, a convite do poeta Sérgio Ninguém, editor e coordenador da publicação. Nota biobibliográfica do autor (p. 25) precede «Solitude».



sábado, 4 de março de 2017


   Eugénio de Castro faz hoje 148 anos.

CARTA


Se quero? Quero, sim, e vem depressa!
Esta casa estará cheia de flores!
Cá te espero amanhã! Não te demores!
Vem cedinho, vem logo que amanheça!

Não te via há dez anos! Recomeça
O meu céu negro a encher-se de esplendores!
O pior é que o tempo e os dissabores
Já semearam cãs nesta cabeça…

Vais estranhar-me, creio… Tu decerto
És hoje o que eras, conservando ainda
As mesmas tranças fartas e castanhas…

Tremo, de ti julgando-me já perto…
Como tu eras, há dez anos, linda!
Não mudaste, pois não?... Olha… não venhas!

Eugénio de Castro, 1938: Últimos Versos.
[Ed. consultada: Eugénio de Castro, 1987: Antologia  (Introdução, selecção e bibliografia
de Albano Martins). Lisboa: IN-CM; p. 279.]

Para recordar e/ou ler e/ou ser (mais) informado:

«[…] Artista superior, porventura o mais requintado de toda a poesia portuguesa, é esse um título que não pode, em boa verdade, recusar-se a Eugénio de Castro. E se não se detectam, na sua poesia, os dramas pungentes – individuais ou colectivos -, as angústias metafísicas, as preocupações sociais e as nevroses que alimentam a obra de alguns poetas seus contemporâneos e outros de gerações posteriores, não significa isso que não seja ele capaz de perante a vida e o mundo se emocionar. […]»
Albano MARTINS, 1987: «Introdução».
Em Eugénio de Castro, 1987: 10.

NB1 - As fotografias do Poeta foram colhidas em Google+ / Imagens / Eugénio de Castro.
NB2 - Respeitadas grafia a pontuação da edição consultada.

sexta-feira, 3 de março de 2017


   Maria Manuela Couto Viana* faz hoje 98 anos.

PRINCÍPIO


Ensina-me a dizer palavras claras,
sem nomes falsos, repetidos, lentos…
Ensina-me a chamar às coisas o seu nome,
seu nome verdadeiro.
Ensina-me a compor o poema derradeiro
da minha sede e minha fome.

Que eu não vá, nunca mais, inconsciente
da única beleza,
fugindo atrás duma canção perdida.
Ensina-me a encarar, simples, de frente,
sem máscaras, a vida.

Que eu não sinta só meu o que é roubado.
Ensina-me a beijar as rosas, sem mordê-las.
E nas noites sombrias, sem estrelas,
ensina-me a dormir um sono sem pecado.

                                                          Ensina-me a calar a força do meu grito.
                                                          Dá-me o tom verdadeiro do meu canto.
                                                          Cerra a boca do meu espanto,
                                                          e adoça-me o olhar de estátua de granito.

                                                          Ruga tardia em rosto desumano,
                                                          sofro a ânsia da paz que recusei.
                                                          Ensina-me a dizer às flores do verde ramo
                                                          que sim, que te encontrei!

Maria Manuela Couto Viana, 1950: «Princípio».
Távola Redonda - Folhas de Poesia - Fascículo 2. Lisboa; [p. 04]
{Eds. consultadas: Távola Redonda – Edição Facsimilada. Lisboa: Contexto; 1989, [p. 20]
A Poesia de Maria Manuela Couto Viana. (Pref. de Esther de Lemos). Lisboa: Átrio; 1993, p. 42.}

* Filha de Manuel Couto Viana (VC, 13/03/1892 - Lisboa, 07/12/1970) e de Maria Romana González de Lena e Carreño (1897-1976), e irmã do poeta e ator António Manuel Couto Viana (VC, 24/01/1923 - Lisboa, 08/06/2010).

Para recordar e/ou ler e/ou ser (mais) informado:

«Maria Manuela Couto Viana […] dá voz à voz da tradição, que já tem expressão no nosso cancioneiro medieval e, mais tarde, no nosso espólio poético-monacal, textos de grande interioridade e destacado individualismo, emotivamente reflectindo, com lírica força ascensional, subjectividades expressivas, desde a mansidão à queixa, desde a paixão à revolta. A poesia de Maria Manuela Couto Viana é paradigmática. Mas a voz da tradição na voz de Maria Manuela Couto Viana não é redutora, antes inspiração para uma menina e moça a caminho da ruptura com a instituída fórmula do viver feminino […].»
F[ernanda] B[otelho], 1996: «”As Fundas Nascentes da Poesia”».
Colóquio/Letras, n.º 142. Lisboa: Gulbenkian; p. 232.

NB1 - Os retratos da poetisa, da autoria de Carlos Carneiro (cabeçalho) e Manuel Couto Viana (poema), são digitalizações de reproduções que se encontram, respetivamente, em A Poesia de Maria Manuela Couto Viana (1993) e em Manuel Couto Viana, 1990: Ferro-Velho - Memórias e Estudos (Vol. II). Viana do Castelo: Câmara Municipal de Viana do Castelo; p. 190.
NB2 - Respeitadas grafia e pontuação das edições consultadas.

quarta-feira, 1 de março de 2017



   Alberto Osório de Castro faz hoje 149 anos.


           VOLER DI CUORE
                             
                                     Que não sabe homem aquela hora
                                     Em que lhe há-de vir o amor.
                                            BERNARDIM RIBEIRO, Éclogas.


Bem quisera, Senhora, que este afecto
Não fosse amor, mas límpida amizade,
Sentimento viril, alto e discreto,
De natural renúncia, e de lealdade.

 Mas é-se homem! E é pobre humanidade
Esta ânsia de tocar o que é secreto
E adorável, de olhar o que é dilecto,
E é toda a luz da vida e suavidade.

Ah! Senhora, ah! Senhora, a Carmelita
É só na voz de amor da Sulamita
Que com Deus fala de divino amor.

Não falo, não, de amor, mas de exaltada
Ternura da alma pela bem-amada
Alma gentil de mistério e de dor.

                                      Novembro, 23, 1921


Alberto Osório de Castro, 2004: Obra Poética (Vol. II).
Organização de António Osório. Lisboa: IN-CM; p. 180.

Para recordar e/ou ler e/ou ser (mais) informado:
«Alberto Osório de Castro - Infopédia» e «Alberto Osório de Castro – Dicionário de Orientalistas da Língua Portuguesa»

«[…] Formou-se em Direito em Coimbra, onde com António Nobre, Alberto de Oliveira e Eugénio de Castro, tomou parte activa na renovação da poesia portuguesa […]. Data de então a sua grande amizade com Camilo Pessanha […]. Os seus quatro livros capitais, todos eles de poesia – Exiladas (Coimbra, 1895), A Cinza dos Mirtos (Nova Goa, 1906), Flores de Coral (Timor, 1908), O Sinal da Sombra (1923) – testemunham uma requintada predilecção pela singularidade, pelo “diferente”, pela morbideza. […] Na composição dos seus quadros poéticos intervêm o precioso e o excepcional, já pela própria natureza dos motivos que o ambiente lhe impõe […], já por uma deliberada procura vocabular. […] Com menos força que na lírica de Pessanha, encontram-se, todavia, nos poemas de A. O. de C. os temas do amor e da morte, do tempo inexorável e inapreensível, tempo espesso em que nada perdura, onde tudo morreu.»

U[rbano] T[avares] R[ODRIGUES], 19783: «Castro, Alberto Osório de».
Em Jacinto do Prado COELHO (dir.), 19783: Dicionário de Literatura. (Vol. 1).
Porto: Figueirinhas; pp. 165 e 164.

NB1 - As fotografias da Poeta foram colhidas em Google+ / Imagens / Alberto Osório de Castro.
NB2 - Respeitadas grafia e pontuação das edições consultadas.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017


   Armando Côrtes-Rodrigues faz hoje 126 anos.



AO SR. CÔRTES-RODRIGUES


Passo no mundo a vivê-lo,
Passo no mundo a senti-lo,
E esta côr do meu cabello
É o vê-lo e o possuí lo.

Passo no mundo a sonhá-lo,
Numa forma de vivê-lo,
E o meu sentido d’olhá-lo
É o sentido de vê-lo.

Só em Mim me concretiso,
E o Sonho da minha vida
Nesse Sonho o realiso.

 E sempre de Mim Presente,
Todo o Meu Ser se limita
Em Eu Me Ser Realmente.

Violante de Cysneiros [Armando Côrtes-Rodrigues], 1915: «Ao Sr. Côrtes-Rodrigues».
Orpheu – Revista Trimestral de Literatura, n.º 2. Directores: Fernando Pessoa / Mário de Sá-Carneiro. Lisboa, p. 126.
[Consulta: 1989: Orpheu / Edição fac-similada. Lisboa: Contexto.]

Para recordar e/ou ler e/ou ser (mais) informado:

«Entre os escritores que comummente mais se estranharia não ligássemos ao Modernismo, destaca-se Armando Côrtes-Rodrigues […]. Foi colaborador de ambos os números de Orpheu, no segundo deles sob o pseudónimo de Violante de Cysneiros, mas na sua obra predomina a nota popular açoriana, em consonância aliás com o interesse que o leva a dedicar-se à etnografia regional, sobre que publicou importantes artigos e monografias. As poesias saídas no Orpheu em seu próprio nome inserem-se sem originalidade no Paulismo […] Mas as subscritas por Violante de Cysneiros, mais afins ao Pessoa ortónimo, predominantemente em quadras, contam-se entre as suas coisas melhores. […]».
Óscar LOPES, 1987: Entre Fialho e Nemésio - II.
Lisboa: IN-CM; pp. 608-609.

Para uma análise do «artifício do disfarce», com evidente cumplicidade de Fernando Pessoa, na colaboração de Orpheu 2*, sob o pseudónimo («heterónimo», segundo Eduíno de Jesus – Biblos, vol. I, 1995, col. 1314)  de Violante de Cysneiros, ler Anna Klobucka, 1990: «A Mulher Que Nunca Foi. Para um retrato bio-gráfico de Violante de Cysneiros», em Colóqui/Letras, n.º 117/118; pp. 103-116.
*Os nove poemas publicados em Orpheu 2 (pp. 121-127), todos datados de «Junho, 1915», são apresentados como sendo «dum anónimo ou anónima que diz chamar-se Violante de Cysneiros» (p. 121), com a seguinte, no mínimo curiosa, «N. B. – Apareceram-nos na Redacção estes belos poemas, que um anónimo engenho doente realisou. Publicamo-los, porque disso são dignos, importando-nos pouco a personalidade vital de que possam emanar. Toda a obra de arte é a justificação de si-própria.» (p. 122)
Violante de Cysneiros / Armando Côrtes-Rodrigues dedica esses poemas a figuras importantes do primeiro modernismo português: Álvaro de Campos, subintitulado «O Mestre» (4), Mário de Sá-Carneiro (1), Fernando Pessoa (1), Alfredo Pedro Guisado (1) e, curiosamente, a si própria(o) (2): «Ao Sr. Côrtes-Rodrigues» - acima reproduzido - e «A Mim Própria / De há dois anos».

NB1 - Fotografias colhidas em Google+ / Imagens / Armando Côrtes-Rodrigues.
NB2 - Respeitadas grafia e pontuação das edições consultadas.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017


   Ruy Belo faz hoje 84 anos.

E TUDO ERA POSSÍVEL

Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido

Chegava o mês de maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido

E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer

Só sei que tinha o poder duma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer

Ruy Belo, 1981: Obra Poética de Ruy Belo (vol. 1).
(Organização e posfácio de Joaquim Manuel Magalhães). Lisboa: Presença; p. 171.

Para recordar e/ou ler e/ou ser (mais) informado:
AQUI e «E TUDO ERA POSSÍVEL, dito por Elisabete Caramelo» e/ou «Ler Mais, Ler Melhor – Ruy Belo» e/ou «Ruy Belo, Era uma vez)».

«[…] A poesia de Ruy Belo é uma poesia do fracasso mas não uma poesia fracassada. Cada poema seu é um espaço errante e disperso, homogéneo mas fragmentário, à semelhança da própria vida. De livro para livro, os poemas alongam-se e tornam-se mais pungentes, mais intensamente apaixonados, mas aqui a paixão, se é busca de uma relação amorosa com o real, inclui nela o sentimento da perda irremediável e do espaço mortal da condição finita. O tempo é a instância negativa contra a qual o poeta se levanta num movimento que não atinge jamais a plenitude. […]».
António Ramos ROSA, 1987: «Ruy Belo ou a Incerta Identidade»
Em Incisões Oblíquas. Estudos sobre Poesia Portuguesa Contemporânea.
Lisboa: Caminho; p. 70.

NB1 - Fotografias colhidas em Google+ / Imagens / Ruy Belo.
NB2 - Respeitadas grafia e pontuação das edições consultadas.