Ruy Belo faz hoje 84 anos.
E
TUDO ERA POSSÍVEL
Na
minha juventude antes de ter saído
da
casa de meus pais disposto a viajar
eu
conhecia já o rebentar do mar
das
páginas dos livros que já tinha lido
Chegava
o mês de maio era tudo florido
o
rolo das manhãs punha-se a circular
e
era só ouvir o sonhador falar
da
vida como se ela houvesse acontecido
E
tudo se passava numa outra vida
e
havia para as coisas sempre uma saída
Quando
foi isso? Eu próprio não o sei dizer
Só
sei que tinha o poder duma criança
entre
as coisas e mim havia vizinhança
e
tudo era possível era só querer
Ruy Belo, 1981: Obra Poética de Ruy Belo (vol. 1).
(Organização e posfácio de Joaquim Manuel
Magalhães). Lisboa:
Presença; p. 171.
Para
recordar e/ou ler e/ou ser (mais) informado:
AQUI e «E TUDO ERA POSSÍVEL, dito por
Elisabete Caramelo»
e/ou «Ler Mais, Ler Melhor – Ruy Belo» e/ou «Ruy Belo, Era uma vez)».
«[…] A poesia de Ruy Belo é uma
poesia do fracasso mas não uma poesia fracassada. Cada poema seu é um espaço
errante e disperso, homogéneo mas fragmentário, à semelhança da própria vida.
De livro para livro, os poemas alongam-se e tornam-se mais pungentes, mais
intensamente apaixonados, mas aqui a paixão, se é busca de uma relação amorosa
com o real, inclui nela o sentimento da perda irremediável e do espaço mortal
da condição finita. O tempo é a instância negativa contra a qual o poeta se
levanta num movimento que não atinge jamais a plenitude. […]».
António Ramos ROSA, 1987: «Ruy Belo ou a Incerta
Identidade»
Em Incisões
Oblíquas. Estudos sobre Poesia Portuguesa Contemporânea.
Lisboa: Caminho; p. 70.
NB1 - Fotografias colhidas em Google+ / Imagens / Ruy Belo.
NB2 - Respeitadas
grafia e pontuação das edições consultadas.


