segunda-feira, 27 de outubro de 2014

I. Poesia em livro




Todos os dias são da poesia e sua partilha, como pão nosso de cada dia.

[Continuação do post anterior, dentro da mesma rubrica]


[Continuará]

sábado, 25 de outubro de 2014



porto de amar
o meu permanente
é o mar

ora como o planar
sereníssimo da gaivota
ao longo deste azul
infinito de gradiente

ora como o feroz
animal marinho que  vencido
e ferido na indomável tempestade
nele encontra sempre
novo e plácido abrigo

david f. rodrigues
viana, 25-10-2014

quarta-feira, 22 de outubro de 2014



anda este orfeu
amigo meu
com paciência
de corno tal
ou seja dor
que tanto vale
por causa dessa
sabida eurídice

que só visto

à lira preso
como possesso
ao canto dado
de enamorado
que não desiste
eternamente
sempre tão triste

e ela feliz
toda contente
indiferente
só quer orgias
e mais folias
em bacanais
com imbecis
e outros que tais

uns jograletas
com a mania
que são poetas
pobres coninhas
cujas versinhas
mal amanhadas
reles punhetas
são de picinhas

eu no lugar
dele coitado
abandonado
há muito tinha
de vez mandado
levar no cu
essa morrinha
de merda toda

e ela mandado
para o caralho
que bem a foda

david f. rodrigues
viana, 24-03-2014


Publicado, sem título, com a numeração «vii», em estes cantares fez & som escarnhos d'ora. Viana do Castelo: ed./a., 2015/2016, pp. 17-18.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

I. Poesia em livro




Todos os dias são da poesia e sua partilha, como pão nosso de cada dia.

[Continuação do post anterior, dentro da mesma rubrica]


[Continuará]



domingo, 19 de outubro de 2014



Ao Adélio Melo


se o animal dito com razão
perder a racionalidade
não deixa por isso de ser homem

agora experimenta viver
sem a tua animalidade

estou já certo que depois
lázaro nem por milagre
me contarás a única experiência
de vida racional para que passaste

david f. rodrigues
viana, 19-10-2104
[Atualizado em 19-10-2017]

Todos os direitos reservados.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

quinta-feira, 16 de outubro de 2014



a rapariga parece mesmo
deus me perdoe se peco
um triste pau de virar tripas
disse a primeira comadre

mas também casar hoje assim
num dia de chuva a cântaros
é só de quem se lambe toda
por papas de farinha de milho
cabaneirou a segunda comadre

ai tenha o rapaz espigueiro cheio
de grão para moer em farinha
e dentro de três quatro meses
vamos tê-la já bem gordinha

concordavam as duas comadres
e as outras que óó as acolitavam

passados vinte anos contudo
os sogros de ambos os lados ainda
não sabem o que é ter um neto

a encher a tripa de rojões a dedo
continua por isso a nora enquanto
o genro cada ano mais difícil vê
quem lhe queira mercar os grãos

david f. rodrigues
viana, 16-10-2014



Publicado depois, sem título e a numeração «xlvii», em estes cantares fez & som escarnhos d'ora (2015/16). Viana do Castelo: ed./a., p. 72.