terça-feira, 14 de outubro de 2014


o poeta que falava
pelos cotovelos calou-se

espera agora que a dor
aguda sentida nos ditos
lhe desapareça de vez
com as doses de silêncio

anda contudo isolado cabisbaixo
introvertido talvez

o seu maior desgosto
de vida é um dia ter
de ficar calado para sempre

e com dor de cotovelo
sem poder coçar o olho

david f. rodrigues
viana, 14-10-2014




Publicado depois, sem título, com a numeração, «vi», também em estes escarnhos fez & som d'ora (2015/16). Viana do Castelo: ed./a.,  «vi», p. 16.


sexta-feira, 10 de outubro de 2014

IV. Frutos da Terra e do Homem


                                 Todos os dias são da poesia e sua partilha, como pão nosso de cada dia.


                                                                  Cristóvão Pavia fez 35 anos, no dia 07 deste mês*.



* Por lapso meu, confundi a data de nascimento do Poeta (07/10/1933) com a data da sua morte (13/10/1968). Daí não ter saído no dia oportuno esta recordação. Peço desculpa.

NB - As fotografias ddo Poeta foram colhidas na internete.


I. Poesia em livro




Todos os dias são da poesia e sua partilha, como pão nosso de cada dia.


[Continuação do post anterior, dentro da mesma rubrica]






[Continuará]

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

IV. Frutos da Terra e do Homem



UM LIVRO SOBRE A CIDADE DO PORTO


     Lugares e palavras do Porto é um livro dedicado  a esta cidade e aos portuenses. Trata-se de um coletânea de textos em prosa («Estórias» e «Memórias»), em verso («metáforas») e de um registo do falar/linguajar tripeiro («Dicionário de Portoguês»). Estas secções encontram-se separadas por fotografias, a preto e branco, que mostram alguns lugares da Invicta, da autoria de Aurélio Mesquita, que é também o autor da aguarela que ilustra a capa.
      São 20 os textos em prosa: 15 «Estórias» e cinco «Memórias», mais ou menos ficcionadas, mais ou menos humoradas, mais ou menos bem conseguidas. Os seus autores são (os títulos seguem entre parênteses): Maria Dolores Garrido («Domingos Mira Flor»); Ana Cruz («As malas da Gisele»), que participa também com dois textos em «Memórias»; Maria Clara Miguel («Na Bertrand»); Anabela Borges («A gaita do amolador»); António Oliveira («O Tono da Ribeira»); Clementina de Sousa («Por debaixo do chão»); Manuel Maria («O Astrólogo»); Sara Timóteo («Geografia da ausência»); Cristina Vieira Caldas («De mãos dadas com o Porto»); Glória Poças («Uma tímida travessia»); Silvino Figueiredo («Um nabo que pediu um molete»); Fátima Nascimento («O jogo do FCP»); Maria Eugénia Ponte («A Betesga do Porto»); Gabriela Silva («Um coração sem cor»); e Goreti Dias («Um travesti em Santo Isidro»).
Os memorialistas são Ana Cruz («O S. João da minha infância» e «Quer uma escova»), que já participara nas «Estórias»); Cristina Silva («Porto – Uma pequena reflexão»); Aline («A mulher “carquejeira”»); e Donzília Martins («Memórias»).
Na secção «Metáforas», encontramos poemas de Margarida Basaloco («Invicta»); Donzília Martins («Silêncios para ti»), que já participara também em «Memórias»; Glória Costa («Sempre que te abraço» e «Rio Douro»); Sérgio Sá Marques («Velázques [sic] no Porto» e «Quatro quadras»); Euclides Cavaco («Porto, leal cidade»); Carlos Faria Costa («Minutos de silêncio no Porto»); Maria Fátima Soares («Porto, meu porto»); Catarina Dinis («O Porto de há 20 anos»); e Adélia Pires («Nobre cidade»).


A coordenação é da responsabilidade de João Carlos Brito, que é também quem assina o dicionário «Falar Portoguês». A edição do livro pertence a «Lugar da Palavra Editora» (Rio Tinto) e o livro veio a público em meados do corrente ano.

Não cabe aqui, neste post, uma análise crítica pormenorizada do livro (dada a sua diversidade de géneros). Até porque, além disso, nem todos os textos incluídos no volume merecerão tal trabalho. Mas cabe, certamente, uma síntese do seu conteúdo, e essa encontra-se na última página do volume:

«O Porto em estórias, memórias, imagens e poemas.
O casario, a Ribeira, as varandas, as vizinhas. O aeroporto, a estação de S. Bento, as lojas tradicionais e as livrarias, os escritores do Porto. As artes e os ofícios, o amolador, as carquejeiras, o Fêquêpê. As gentes, os artistas, os cromos, os bacôcos [sic] e as polidoras de esquinas. O Duque, os namorados, os ambientes. A Baixa, os arredores, as lendas. Os moletes, os nabos e os cámones [sic]. O S. João, os rabelos, o Douro. O sentimento tripeiro, as estórias da nossa história.
Estas são algumas das temáticas abordadas em “Lugares e Palavras do Porto”.
[…] E, porque uma das marcas dos portuenses é o seu linguajar, o Dicionário de Portoguês dá a conhecer mais de 2500 palavras e expressões dos falares do Porto», considerada «a maior e mais completa recolha de sempre.»

Dado como «livro só para quem ama» a região sobretudo metropolitana da cidade, a verdade, porém, é que Lugares e Palavras do Porto interessa a todos os leitores, mesmo àqueles que não gostam da Invicta. Lendo-o, talvez fiquem a gostar ou a compreender porque não gostam. Ou, quem sabe, a deixar de não gostar.

NB - Agradeço à Maria Clara Miguel a oferta e envio do livro. Muito obrigado.



IV. Frutos da Terra e do Homem



Todos os dias são da poesia e sua partilha, como pão nosso de cada dia.


Maurício de Sousa
[Retrato (pormenor) de Salvador Vieira]





MAURÍCIO DE SOUSA (1943) é natural e residente em Viana do Castelo. Poeta, é autor de quatro livros: Do Lento Apetecer o Tempo (1975), Domínios Consentidos (1982), Poemas sob a Colina (1986) e Tear de Cactos (1989). São temas recorrentes da sua poesia o amor, a morte e a solidão, vertidos num fino discurso de palavras essenciais. Pela disciplina que impõe ao verso, pelo domínio dos recursos, pela expressão contida das emoções, os seus poemas revelam um acto contínuo de rigor poético[DFR]

NB - Escultura - «Flor» -de João Cutileiro, em Ponte de Lima: fotografia de Amândio de Sousa Vieira (ver AQUI). Retrato a óleo (pormenor) do Poeta, por Salvador Vieira:  fotografia de DFR.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

I. Poesia em livro


Todos os dias são da poesia e sua partilha, como pão nosso de cada dia.

[Continuação do post anterior, dentro da mesma rubrica]



segunda-feira, 6 de outubro de 2014


hoje quando acordei prometi
não pensar na poesia e sequer
por isso um único verso escrever

ao pass(e)ar porém no jardim da avenida
observei um avantajado e corpulento zangão
penetrar repetidas vezes no fundo gineceu

de uma jovem rosa talvez de alexandria
talvez damascena e nele demorar-se
em serena e plena quietude de prazer

um velhinho adiante sentado no banco
babava os olhos por umas bonitas pernas
de uma menina que usava miniminicalções

seguindo esqueci-me da promessa matinal
desculpem não ter cumprido o bom pensamento

fica para outro momento menos sensual

david f. rodrigues
viana, 06-10-2014




Publicado depois, sem título, com a numeração «xlv», em estes cantares fez & som escarnhos d'ora (2015/16). Viana do Castelo: ed./a., p. 70.